O Tribunal Arbitral da Câmara da FGV devolveu os direitos políticos à Eagle Bidco na SAF do Botafogo, suspendendo atos feitos sem a empresa e declarando irregular a posse de Durcesio Mello. A decisão enfraquece Textor, separando seus direitos dos da holding. A crise no Botafogo continua, com uma audiência marcada para buscar estabilidade e evitar mais judicializações. A disputa pelo controle da SAF do Botafogo ganhou nesta segunda-feira uma reviravolta que muda novamente o equilíbrio de forças dentro do clube. Em decisão de 50 páginas obtida pelo GLOBO, o Tribunal Arbitral da Câmara da FGV devolveu direitos políticos à Eagle Bidco — holding dona de 90% da SAF —, suspendeu atos societários realizados sem participação da empresa, declarou irregular a eleição e a posse de Durcesio Mello na estrutura da SAF e determinou uma reorganização do conselho de administração. Ao mesmo tempo, os árbitros retiraram uma proteção cautelar específica que garantia a permanência de Textor em sua posição estatutária, separando pela primeira vez de forma explícita os direitos da Eagle da situação pessoal do empresário americano. A decisão acontece menos de três semanas após o próprio tribunal arbitral afastar cautelarmente Textor da gestão da SAF em meio à escalada da crise financeira, societária e judicial envolvendo o Botafogo, a Eagle Football e o clube associativo. Desde então, o associativo passou a tentar reorganizar o comando da SAF, enquanto a Eagle alegava ter sido excluída de decisões estratégicas e assembleias internas da empresa. Na prática, a arbitragem faz agora um movimento duplo: enfraquece medidas tomadas sem participação da Eagle, mas também evita devolver blindagem total a Textor. O resultado é um novo cenário de poder dentro do Botafogo: a holding volta ao centro da governança da SAF, enquanto a permanência do empresário americano na condução direta do clube deixa de ter proteção expressa jurídica. O principal ponto da decisão é a reafirmação de que a Eagle Bidco mantém direitos políticos plenos dentro da SAF do Botafogo. O tribunal determina “a conservação dos direitos políticos da Eagle Bidco” e ratifica que a holding tem direito de participar, representar-se e até presidir a Assembleia Geral Extraordinária marcada para 14 de maio. Na prática, isso significa que a arbitragem rejeitou a tentativa de esvaziamento político da empresa dentro da SAF. A decisão deixa claro que a controladora continua tendo legitimidade para participar das decisões estratégicas do clube, mesmo diante da disputa judicial e societária em curso. O tribunal também suspendeu os efeitos do acordo de acionistas firmado em julho de 2025 e de “todos os atos societários e atas de assembleias gerais realizadas desde 17/07/2025 sem a devida representação da Eagle Bidco”. A medida coloca sob questionamento deliberações tomadas nos últimos meses sem participação efetiva da holding. Outro trecho importante da decisão trata diretamente da situação de Durcesio Mello, que foi eleito presidente da SAF em assembleia realizada em 17 de julho de 2025, sem a presença da Eagle Bidco. A arbitragem declarou a eleição irregular e determinou que a posse de Durcesio Mello na SAF seja considerada nula. A decisão também determinou a reorganização do conselho de administração da SAF, com a participação da Eagle Bidco e a exclusão de Durcesio Mello. A arbitragem também determinou a realização de uma assembleia geral extraordinária para eleger um novo presidente da SAF, com a participação da Eagle Bidco e a exclusão de Durcesio Mello.
Clube
Botafogo de Futebol e Regatas: Tribunal devolve poder político à Eagle na SAF
O Tribunal Arbitral da Câmara da FGV devolveu os direitos políticos à Eagle Bidco na SAF do Botafogo, suspendendo atos feitos sem a empresa e declarando irregular a posse de Durcesio Mello.
Botafogo de Futebol e Regatas