A disputa entre John Textor e demais acionistas da Eagle Football Holding ganhou novos capítulos — o afastamento do empresário americano do comando da SAF do Botafogo, a nomeação do ex-presidente Durcesio Mello como diretor interino do clube-empresa, e um contra-ataque executado por meio de nova ação judicial. A história precisa ser dividida em núcleos, para facilitar a compreensão. Em um deles, corre a discussão entre acionistas da Eagle Football Holdings no Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É nesta esfera que Textor foi afastado da SAF. A arbitragem é um órgão independente, que não pertence ao Judiciário, mas a sua sentença tem poder judicial. Ela é composta por árbitros de confiança das partes e pode ser acionada para resolver disputas patrimoniais, como é o caso atual. Nesta quinta-feira (23), os árbitros concluíram que medidas recentes de Textor “têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”. Assim, foi determinado o afastamento dele da operação. Já na madrugada de sexta, a SAF afirmou em nota que a decisão da arbitragem “substitui, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas”. Ainda segundo o clube-empresa, não houve requerimento específico de nenhuma das partes pelo afastamento. Durcesio então foi nomeado diretor interino. Durcesio foi presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, a associação, durante a transição do futebol para a SAF. Enquanto esteve no poder, ele deu sustentação política para que Textor administrasse o futebol da maneira que pretendia. O contra-ataque Enquanto a discussão entre acionistas da Eagle corre no Tribunal de Arbitragem, Textor voltou à Justiça comum. Ele tem se manifestado por meio da SAF e tem o suporte dos escritórios Basílio Advogados, Fux Advogados e Salomão Advogados. O Sport Insider obteve a cópia da tutela cautelar antecedente, protocolada pela SAF em 21 de abril, como uma etapa preparatória para a recuperação judicial. Ela foi endereçada à 2ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro. Um dos principais argumentos apresentados é o de que, apesar da crise financeira instaurada no Botafogo, ela não foi gerada por problemas internos da administração, e sim pelo colapso do sistema de “caixa único” que estava em vigor na Eagle. A SAF afirma ter transferido 146 milhões de euros (aproximadamente R$ 1 bilhão) entre 2024 e 2025 para ajudar o Lyon, da França, que enfrentava punições severas da DNCG, o órgão da liga francesa que fiscaliza as contas dos clubes. Botafogo, Lyon, Crystal Palace, da Inglaterra, e Molenbeek, da Bélgica, formavam a rede da Eagle. Textor foi afastado da administração do Lyon, quando a ruptura com acionistas e credores da Eagle se tornou evidente. Posteriormente, a Eagle teve a empresa que gere os clubes de futebol colocada pela Justiça britânica em processo de administração judicial, uma espécie de intervenção que precede a insolvência. A intervenção tirou os poderes de decisão de Textor, que se manteve no negócio “apenas” na condição de acionista majoritário. Agora, a firma nomeada para cuidar da intervenção, chamada Cork Gully, colocou os ativos da Eagle à venda no mercado. A Eagle notificou a SAF do Botafogo em 17 de abril, segundo a petição escrita pelos advogados do clube-empresa, para desautorizar qualquer pedido de recuperação judicial. A holding reafirmou na Assembleia Geral Extraordinária de 20 de abril que não fará aportes para o clube.